EIP é tema em evento brasileiro de educação e prática farmacêutica

O Ministério da Saúde do Brasil, por meio do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF) da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde realizou entre os dias 10 a 12 de dezembro de 2019 o VII Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos (VII CBURM). O evento, sediado na cidade de Brasília, teve como temática central: “Desafios e perspectivas para o uso racional de medicamentos na prática interprofissional”.

De acordo com os organizadores do congresso, o Uso Racional de Medicamentos (URM) é uma prática cuja finalidade é reduzir eventos resultantes da má utilização de medicamentos, os quais incluem utilização de doses maiores ou menores que as indicadas para situação, tratamentos mais prolongados que o necessário, não adesão às terapias, interrupção e outros. Para tanto, a interprofissionalidade é fundamental para a promoção do URM no âmbito de um sistema universal de saúde, como o brasileiro – Sistema Único de Saúde (SUS).

Dentre as atividades do evento realizou-se a conferência - Educação e Prática Interprofissional colaborativa: estratégicas para o Uso Racional de Medicamentos.

Cláudia Brandão, membro da Secretaria Executiva da Rede Regional de Educação Interprofissional das Américas (REIP) e representante do Brasil,  iniciou a sessão destacando que a EIP deve ser valorizada para a formação de competências para o efetivo trabalho em equipe, se mostrando potente para o exercício da colaboração como aspecto diferencial no trabalho em saúde. A representante mencionou ainda que é necessário um novo (re)desenho para a educação das profissões da saúde, em que se considere as conexões entre a educação com os sistemas de saúde e que se estabeleça compromisso da EIP para o URM.

Na perspectiva da enfermagem, Carmen Lúcia Monteiro Lupi, representante do Conselho Federal de Enfermagem, apresentou o cenário de atuação de diversos profissionais que compartilham objetivos comuns, mas têm relação independente e limitada interação. No campo de atuação dessa profissão, Carmen sinalizou a importância das competências para a prática interprofissional colaborativa, como a comunicação, o cuidado centrado no usuário, a clareza na definição de papeis profissionais, a dinâmica da equipe, a capacidade para a resolução dos problemas e a liderança colaborativa.

Do ponto de vista da prática acadêmica, Marselle Nobre de Carvalho, professora da Universidade Estadual de Londrina, apresentou a experiência da instituição que contempla dois módulos de Práticas de Integração Ensino, Serviço e Comunidade no primeiro e segundo anos dos cursos de medicina, farmácia e enfermagem, o que permitem que estudantes de diversos cursos aprendam juntos, desenvolvendo competências interprofissionais e melhorando as práticas para o URM.

Sobre a visão do gestor de saúde, Jardel Corrêa de Oliveira, coordenador da Comissão de Farmácia e Terapêutica - CFT - da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis apresentou as ações da CFT, como iniciativas de educação permanente e integração dos profissionais de diferentes carreiras para a promoção do URM. Jardel ressaltou ainda a ausência de políticas de incentivo para essa finalidade e que há a necessidade de esforços nessa direção.

Resultados

O evento contou com   a participação de mais de mil pessoas , dentre  profissionais de saúde,  estudantes,  pesquisadores,  gestores,  prestadores  de  serviço. Após as discussões que abrangeram diversas perspectivas, a comissão organizadora elaborou uma carta com recomendações para que sejam incorporadas pelas entidades e instituições, públicas ou privadas, e, em particular, pelas diferentes instâncias de governo, de gestão e do controle social do Sistema Único de Saúde. Sobre a EIP constam as seguintes recomendações.

  • Estimular a comunicação e prática interprofissional.
  • Estimular iniciativas educacionais interprofissionais que abordem conteúdos de URM nos currículos de cursos da área da saúde, em níveis de graduação e pós-graduação lato e strictu sensu; nos programas e cursos de extensão universitária; nos programas de Educação Permanente em Saúde e nas práticas de Educação Popular em Saúde.

Influência da iniciativa global e regional para a implementação da EIP no Brasil

O Brasil, a partir do ano de 2017, apresenta um amplo plano de ação para a implementação da EIP e práticas colaborativas nos setores de saúde e de educação. A iniciativa faz parte do chamado da Organização Pan-americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) como medida para a transformação do modelo de educação das profissões da saúde, por meio da incorporação de estratégias inovadoras, como a EIP, promovendo sistemas de saúde mais resilientes, equitativos, de melhor qualidade e com redução de custos.

Nessa perspectiva, acredita-se que o VII CBURM vem agregar às ações do mencionado plano, uma vez que o uso racional de medicamentos, promovido por profissionais de diversas categorias, atuando em equipe colaborativa, poderá diminuir a medicalização, erros de prescrição, além de aumentar a segurança do paciente.

Espera-se que o ensino e a educação farmacêutica possam ser mobilizadores para a implementação da EIP no Brasil, uma vez que suas bases epistemológicas apresentam aderência para o desenvolvimento de práticas interprofissionais para alcançar o efetivo Uso Racional de Medicamentos e por conseguinte a segurança do paciente.

Fonte: Ministério da Saúde do Brasil